O ex-jogador de futebol assassinado e a urgência da desmilitarização da polícia

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José Erlanio Freires Alves, casado e pai de 4 filhos, foi morto porque carregava a caixinha preta dos óculos nas mãos. Essa foi a explicação do sargento da PM de SP Eduardo Pontes de Lima, 31 anos, preso em flagrante pelo assassinato do ex-jogador de futebol.

Hoje, José Erlanio Freires Alves era auxiliar de almoxarifado. Não faz muito tempo, ele era conhecido como Toni no mundo do futebol. Entre 2000 e 2005, segundo amigos, Alves atuou como meia-direita do Operário, time de Várzea Grande, no Mato Grosso. Em 12 de março de 2003, ele enfrentou o Palmeiras pela Copa do Brasil, ainda no antigo estádio do time paulista, e sofreu uma derrota por 5 a 1.

A vida de José acabou ontem (13/01) nas mãos de um sargento da polícia militar de São Paulo ao ser confundido com um ladrão de moto. Ele esperava carona de um amigo para levá-lo ao trabalho, no ABC Paulista, quando foi abordado pelo policial e não teve chance de se defender.

Esse caso é mais uma prova de que a polícia militar, hoje, faz mais o trabalho de algoz do que de protetor, principalmente nas periferias. A polícia militar brasileira está entre as que mais mata no mundo. Em cinco anos (2005 – 2009), a PM de São Paulo matou mais do que todas as polícias americanas juntas. E o país segue como se isso fosse normal, só mostrando indignação quando essa violência sai da periferia e atinge a classe média.

Por esses motivos e por todos os Amarildos, Claudias e tantos outros é que a desmilitarização da polícia é urgente. Desmilitarizar não é acabar com a polícia, como muitos tentam vender, existem diversos motivos pelos quais isso se faz necessário.

Comecemos pelo começo. No Brasil, existem duas polícias: militar e civil. Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, cabem as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. Já às polícias militares cabem o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Lembrando que o modelo de militarização da polícia como concebido nos dias atuais é uma herança da ditadura militar.

Agora, por que é importante desmilitarizar a polícia? Em primeiro lugar, o bolso. Gasta-se mais mantendo polícias militar e civil. Em segundo lugar, o treinamento. Hoje, a polícia militar recebe um treinamento de guerra. E toda a crueldade cometida contra os soldados é descontada, posteriormente, na própria população que a polícia devia proteger. É cruel para os dois lados. Os policiais não entram em contato com nenhuma noção de direitos humanos e são soltos nas ruas (a maioria, muito jovem) depois de um treinamento cruel e desumano. Desmilitarizar a polícia também é permitir que os agentes sejam julgados por tribunais civis, como qualquer cidadão, e não militares, acabando com os desmandos dentro da corporação. Vale lembrar que 77,2% dos próprios policiais são a favor da desmilitarização.

É por isso que precisamos, urgentemente, resgatar esse debate e avançar, não só quando a violência invade os espaços fora da periferia, mas com urgência, porque a periferia sofre todos os dias com a violência daqueles que deveriam nos proteger. José Erlanio Freires Alves, pai de 4 filhos, é mais uma triste prova disso.

Com informações d’A Ponte

 

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