Cunha e demais fundamentalistas têm sangue das mulheres brasileiras nas mãos

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Na mesma semana que as mulheres pararam o Rio de Janeiro contra o projeto de Eduardo Cunha (PL5069/13), que restringe o atendimento no SUS a vítimas de violência sexual e proíbe a venda de pílulas do dia seguinte, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro termina o trabalho de retorno à idade das trevas aprovando,  em uma CPI , a obrigatoriedade da denúncia às autoridades policiais de QUALQUER tipo de aborto, inclusive os espontâneos.

Nesse passo, caminhamos muito rapidamente para uma criminalização ainda maior das mulheres do Brasil, principalmente das mais pobres, que morrem diariamente em clínicas de aborto clandestino. Como bem definiu a deputada Erika Kokay, o que previne o aborto não é a proibição e sim a informação. A realidade brasileira é que o aborto é legal pra quem tem dinheiro. Ao retirar os direitos à interrupção da gravidez, mesmo em casos considerados legais pela legislação brasileira, os congressistas (em sua devastadora maioria, homens) condenam as mulheres à morte e a conviver com o fruto da violência que sofrem diariamente desde pequenas.

Essa proibição pode levar a casos como os de El Salvador, por exemplo, um dos países com uma das legislações antiaborto mais duras do mundo, onde as mulheres podem ser criminalizadas por sofrer aborto espontâneo. Uma reportagem da BBC traz a história de mulheres salvadorenhas condenadas a mais de dez anos de prisão porque a justiça do país ignora a presunção da inocência, exigindo que as mulheres provem que não praticaram aborto intencional. Uma aberração.

Estamos caminhando a passos largos para nos tornarmos El Salvador no que diz respeito à legislação antiaborto. Enquanto tivermos parlamentares que legislam com rosários sobre úteros, as mulheres brasileiras estão condenadas à morte, a desinformação e à violência institucionalizada e legitimada pelo Estado brasileiro.

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Quem banca a bancada ruralista?

1446122961 (1)Nós sabemos muito bem que por trás dos votos de nossos deputados podem estar muitos interesses. O financiamento privado de campanha pode comprometer os congressistas e ajuda a criar bancadas como a da bala e do boi. Nesta terça (27) deu-se mais uma prova disso: por 21 votos a zero foi aprovada em comissão da Câmara a PEC 215, que altera a demarcação de terras indígenas. Deputados de PCdoB , Psol, PT, PV e Rede se retiraram da sessão em protesto. Se é pra prejudicar os povos indígenas quem pode estar por trás? Eles mesmos, os ruralistas. Dos 21 deputados que votaram a favor da PEC 215, pelo menos 18 foram financiados pelo agronegócio. Isso equivale a 85%!

Quer ver só? Ninguém ganha de Tereza Cristina (PSB-MS), que recebeu quase R$ 2 milhões – que respondem por 44,6% de sua campanha – de empresas dos setores agropecuário, agroindustrial e da indústria de celulose. Não muito longe estão Valdir Colatto (PMDB-SC) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). O primeiro – que também votou a favor da revogação do Estatuto do Desarmamento e foi financiado pela indústria armamentista – recebeu 36,9% do dinheiro de sua campanha do agronegócio, enquanto Heinze (que disse certa vez que índios, gays e quilombolas “não prestam”) recebeu mais de 30% do setor.

Destaque negativo também para Adilton Sachetti (PSB-MT), Marcos Montes (PSD-MG), Alceu Moreira (PMDB-RS), Celso Maldaner (PMDB-SC) e Sergio Souza (PMDB-PR) que votaram pelo retrocesso dos direitos indígenas e receberam mais de 15% do dinheiro de suas campanhas do agronegócio.

Só coincidência? É bom estar atento aos interesses econômicos por trás de cada voto. Aqui você consegue ver quais empresas do setor do agronegócio mais financiaram os congressistas.

Votaram a favor da PEC 215 os seguintes deputados:

Adilton Sachetti (PSB-MT)

Alceu Moreira (PMDB-RS)

Celso Maldaner (PMDB-SC)

Covatti Filho (PP-RS)

Diego Garcia (PHS-PR) (não recebeu financiamento do setor)

Jerônimo Goergen (PP-RS)

Luis Carlos Heinze (PP-RS)

Luiz Nishimori (PR-PR)

Mandetta (DEM-MS)

Marcos Montes (PSD-MG)

Nelson Marquezelli (PTB-SP)

Nilson Leitão (PSDB-MT)

Osmar Serraglio (PMDB-PR)

Pompeo de Mattos (PDT-RS)

Professor Victório Galli (PSC-MT)

Rocha (PSDB-AC) (não recebeu financiamento do setor)

Sergio Souza (PMDB-PR)

Shéridan (PSDB-RR) (não recebeu financiamento do setor)

Tereza Cristina (PSB-MS)

Valdir Colatto (PMDB-SC)

Vicente Arruda (PROS-CE)

6 coisas que você precisa entender sobre a Petrobras

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Os jornais estampam e todos repetem: a Petrobras está acabada e dando prejuízo. Pois é, mas a história não é bem assim, como mostra um artigo de Nazareno Godeiro, pesquisador do Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese), publicado no Le Monde Diplomatique Brasil de setembro. Privatização, terceirização e desnacionalização são as palavras-chave para entender o que está por trás disso. Por isso, listamos 6 coisas que você precisa entender sobre a Petrobras para manter em alto nível o debate na mesa de bar ou no Facebook:

  1. A Petrobras representa 13% do PIB do país

O setor de gás e petróleo responde por 13% do PIB nacional e a principal responsável é a Petrobras. Por isso, ela é o maior patrimônio do povo brasileiro, sendo incompreensível o corte de investimentos e a venda de seu patrimônio.

  1. O desmonte da Petrobras leva a desemprego e privatização

Em quatro anos, cerca de 60% do Sistema Petrobras poderá ser vendido com o desmonte feito por meio de Aldemir Bendini, atual presidente da Petrobras. Isso significa 85 mil demissões só em meados desse ano. Mais ainda: a privatização chega com a venda de ativos rentáveis a baixo preço.

  1. Imprensa, multinacionais e bancos fazem campanha para desacreditar a Petrobras

Capitaneada por Serra e o PSDB, tal campanha desmoraliza a estatal, rebaixando seu preço para venda.

  1. Há uma distorção no prejuízo da Petrobras

O balanço de 2014 da Petrobras apresenta um prejuízo de R$ 21,5 bilhões em 2014. Entretanto, ainda que boa parte do prejuízo venha da desvalorização de ativos, há nesse cálculo um desconto de R$ 6,2 bilhões oriundos de propinas da Lava Jato ocorridas entre 2004 e 2012. Isto é: a conta de quase uma década recaiu sobre um só ano.

  1. O valor de mercado engana

Ele é determinado por especuladores internacionais e, de fato, caiu bastante de 2010 para 2014. No entanto, o valor patrimonial da empresa se manteve o mesmo nesse período.

  1. A Petrobras é muito rentável

Estima-se a riqueza da empresa em US$ 6 trilhões! Em um ano tem-se um lucro de US$ 21,7 bilhões, mesmo com a absurda queda de mais de 50% do preço internacional do barril do petróleo. A Petrobras tem faturamento de aproximadamente R$ 300 bilhões e lucros bruto e operacional crescentes. A estatal produz mais óleo e tem mais reservas que as cinco maiores multinacionais do ramo. O prejuízo está só nas esferas especulativa e financeira.

O dia que o PIG deu destaque para Operação Zelotes

o globo zelotes nao cita empresas milionaria apenas filho do lula

Apenas em dia 26 de Outubro de 2015 a grande mídia se deu conta de que existe em curso uma operação da Polícia Federal chamada Zelotes e que esta merece destaque. Seja na versão web, na impressa ou nos telejornais, a grande mídia pela primeira vez substituiu as notas de rodapé e os links escondidos nos seus portais digitais por holofotes para a Zelotes. O Jornal Nacional dedicou 7 minutos e 24 segundo do seu precioso “horário nobre” para uma matéria sobre a Zelotes, na segunda-feira. Matérias relacionadas à operação da Polícia Federal se repetiram nas edições de terça e de quarta.

Obviamente, a Globo nem mencionou Santander, Itaú ou  Bradesco, grandes envolvidos na Zelotes, operação que investiga denúncias de pagamento de propinas a membros do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) em troca de perdão a sonegação fiscal. O viés foi o mesmo de sempre: tentar colar Lula e sua família a denúncias de corrupção. Se é bem verdade que as empresas de Luís Cláudio Lula da Silva, filho de Lula, estão entre as investigadas pela Polícia Federal, elas definitivamente não estão entre as principais acusadas: a RBS, maior afiliada da Rede Globo no Sul do país e dona do Jornal Zero Hora,  é acusada de sonegar  mais de R$ 617 milhões de reais.

Conforme os valores apurados pela investigação, que está em curso desde o final de 2013, estima-se que ao menos R$ 19 bilhões foram desviados dos cofres públicos por meio do pagamento de propina para agentes da CARF.

Vale ressaltar que as principais empresas investigadas na Operação Zelotes são: RBS (afiliada da rede globo)  Ford, Mitsubishi, Bradesco, Santander, Safra, Bank Boston (comprado pelo Itaú), Bradesco Seguros, Camargo Corrêa, grupo Gerdau, Petrobras, BR Foods e Light. Com tanta gente boa envolvida, sabe o que aconteceu? 26 pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público desde o início das investigações foram negados. Estranho não?

Fica a pergunta: Seria essa mais uma estratégia de tirar o foco do escândalo Eduardo Cunha, que comprovadamente sonegou milhões, e de quebra, tentar conduzir a opinião pública para uma associação da imagem do ex-presidente Lula a corrupção ou sonegação fiscal? Logo na semana em que saiu uma pesquisa que revela que Lula está à frente na estranha corrida presidencial que começa três anos antes do pleito?
Aproveitamos para lembrar uma coisa que a mídia também nunca fala. Lula concluiu seu mandato com a maior popularidade da história. Foi ele que tirou milhões da pobreza extrema e conduziu a economia brasileira para um crescimento duas vezes maior do que a do seu antecessor, FHC.
Todos sabem que Lula lá novamente em 2018 será um problema para a elite brasileira (principalmente para Globo e essas empresas que financiam partidos políticos). Ele será um adversário direto de quem apoia a política neoliberal e privatizadora, já que vai defender os interesses do povo, sua maior característica.
Por isso, querem desconstruir sua imagem desde já, seja lá de que forma suja for. Vamos aguardar os próximos capítulos. Não se deixe enganar. A Operação Zelotes é muito mais do que eles estão falando. E tem muita gente que vai se surpreender com ela, caso a justiça brasileira encare a coisa com seriedade e faça justiça sem dar privilégios.

Faça você também o seu avatar “Fora, Cunha!”

Vamos mostrar para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o quanto estamos felizes (sqn) com o retrocesso de direitos imposto por ele na Câmara dos Deputados.

Coloque um “Fora, Cunha” bem grande nos seus avatares das redes sociais. O MM Congresso tem quatro opções, mas existem outras para agradar a todo mundo 😉

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Por que Bendine quer vender a Gaspetro?

por trasUma série de questionamentos pairam sobre a proposta de venda de 49% das ações da Gaspetro, subsidiária da Petrobras. Por que o negócio seria feito? Em que circunstâncias ele ocorre? Que interesses podem estar envolvidos? O que Bendine quer com isso?

Vamos lá: em março de 2015, notícias sobre a possível venda de parte da Gaspetro foram divulgadas; em abril, Murilo Ferreira diretor-presidente da Vale, foi nomeado presidente do Conselho de Administração da Petrobras; em junho, a japonesa Mitsui Gás foi cotada como provável compradora; em setembro, com o negócio encaminhado, Murilo Ferreira pediu licenciamento do conselho. Será possível que houve favorecimento do Grupo Mitsui, de quem a Vale é parceira em empreendimentos?

Um segundo questionamento: o grupo propõe a compra de 49% da Gaspetro por R$ 1,9 bilhões. Mas, segundo análise dos bancos JP Morgan e Brasil Plural, a Petrobras poderia auferir, com a venda, o equivalente a R$ 5 bilhões. Para se ter noção de como o negócio seria vantajoso para os japoneses, a Gaspetro lucrou ano passado R$ 1,6 bilhões, o que significa que, com 49% dos resultados, o Grupo Mitsui recuperaria o investimento em pouco mais de dois anos.

Mais uma: a operação diminuiria a geração de receita da Petrobras em até US$ 1 bilhão. É assim que Aldemir Bendine quer “salvar” a Petrobrás?

Por tudo isso, a FUP (Federação Única dos Petroleiros) ingressou ontem (26) com uma ação civil pública na Justiça Federal contra a Petrobras para impedir a venda. Caso contrário, a pena seria de multa de R$ 1 milhão por dia de descumprimento. Também foi requerida a exibição dos seguintes documentos: íntegra de todas as atas do Conselho de Administração, toda a documentação relativa à venda e a troca de correspondências empreendida com o Grupo Mitsui.

Beto Richa segue exemplo de Alckmin e quer fechar escolas

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Um governador tucano resolveu fechar escolas e gerou protestos de professores e alunos. Qual o nome do governador?

Não! Não é Geraldo Alckmin, mas Beto Richa. Quer dizer, também poderia ser Alckmin, que já fechou 3.390 classes este ano e quer fechar mais 150 escolas, o equivalente a 3% das escolas públicas. Mas agora estamos falando de outro governador tucano, que quer fazer a mesma coisa no Paraná. Beto Richa estuda fechar até 40 escolas, ou quase 2% das unidades existentes. Entre elas, unidades de educação de jovens e adultos e escolas rurais.

Mas a coisa ainda pode piorar: o sindicato dos trabalhadores em educação pública do Paraná acredita que o número pode dobrar, visto que algumas escolas já não estão mais realizando matrículas.

Os protestos seguem ocorrendo, seja no Paraná, seja em São Paulo. E, então, a atenção deve ser redobrada: afinal, como a polícia lidará com as manifestações? Mais da tradicional truculência vem por aí?

11 questões do Enem que nossos congressistas não saberiam responder

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O ENEM surpreendeu muita gente por ter trazido para discussão temáticas importantíssimas. Nada repercutiu mais que o sensacional tema da redação (“A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”) e a questão que citava Simone de Beauvoir. Mas além de botar 7 milhões de pessoas para pensar o machismo da nossa sociedade, a prova trouxe reflexões sobre proteção ao meio ambiente, respeito às culturas tradicionais, alteridade, importância dos movimentos sociais, democracia, entre outros assuntos.

Já pensou se nossos congressistas fizessem a prova? Bolsonaro e Feliciano já deram indícios que não teriam a menor capacidade de escrever a redação. Mas e o resto? Que outros assuntos deixariam, por exemplo, as bancadas do Boi e da Bíblia perdidas?

1.AS QUESTÕES SOBRE FEMINISMO E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A redação já foi bastante debatida e a questão sobre Simone de Beauvoir e a luta pela igualdade de gênero também repercutiu. Mas sabia que uma outra questão falava de violência contra a mulher? Foi na prova de espanhol. Um texto intitulado “En el día del amor, no a la violencia contra la mujer!” traz dados aterrorizantes sobre o tema. Nesse momento, Bolsonaro, Feliciano e Cunha, autor do PL que impede atendimento a mulheres vítimas de violência no SUS, tremeriam na cadeira. Afinal, parece que desconhecem a realidade de uma sociedade machista.

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2. A QUESTÃO SOBRE O FASCISMO

Uma das questões do Enem falava que o fascismo era uma “forma de hegemonia ainda mais perigosa” que o imperialismo, caracterizado pela “adoção do determinismo biológico”. Sem chances para Bolsonaro, que ainda precisa entender o que é o fascismo e o que ele vem alimentando com suas tristes declarações.

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3. AS QUESTÕES SOBRE NEGROS E AFRICANOS

O poema Voz do Sangue, do pan-africanista Agostinho Neto, que conclama “as populações negras de diferentes países a apoiar as lutas por igualdade e independência” e a música Yaô (de Pixinguinha), com trechos no idioma iorubá, apareceram no exame para desespero de Feliciano e a bancada da Bíblia e daqueles congressistas que perseguem as manifestações culturais africanas. Aliás, o preconceito e a ignorância se manifestaram pela internet. Circula por aí uma imagem da segunda questão riscada, com os dizeres “Macumba” e “Não respondi. Tá repreendido em nome de Deus”. Tá lembrado do PL da ~Cristofobia~, de Rogério Rosso (PSD-DF) e do Estatuto da ~Liberdade Religiosa~, proposto por Leonardo Quintão (PMDB-MG)?

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4. A QUESTÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

O PL do Terrorismo abre brechas para a repressão de manifestações sociais legítimas. Então imagina se o relator do PL, Aloysio Nunes (PSDB-SP) tem que responder à seguinte questão no Enem: “No processo da redemocratização brasileira, os novos movimentos sociais contribuíram para…”? Será que o senador responderia certo, afirmando que eles contribuíram para “tornar a democracia um valor social que ultrapassa os momentos eleitorais”?

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5. A QUESTÃO SOBRE REFORMA POLÍTICA E COMBATE À FRAUDE NAS ELEIÇÕES

Essa ficou difícil para Aécio. Será que ele sabe que a Justiça Eleitoral foi criada para combater fraudes sistemáticas nas apurações? O sistema eleitoral brasileiro é referência mundial em segurança e inviolabilidade. Mas Aécio ainda não aceita o resultado das urnas.

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 6. A QUESTÃO SOBRE OS POVOS DA AMAZÔNIA

Problemas para a Bancada do Boi! O que os defensores da PEC 215 (que reduz os direitos indígenas e muda demarcação de terras) responderiam quando perguntados sobre o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia e a valorização das identidades coletivas?

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7. A QUESTÃO SOBRE AGROTÓXICOS

Outra questão complicada pra Bancada do Boi: uma tirinha debate as consequências dos agrotóxicos para nossa saúde e critica o processo produtivo agrícola brasileiro. Mas será que a bancada ruralista já pensou sobre isso?

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8. A QUESTÃO SOBRE A CRISE GLOBAL

Uma das questões do Enem explica que crises que parecem restritas podem tomar proporções globais graças à interdependência do sistema econômico. Assim, uma crise em determinada economia pode afetar outras. Pois – surpresa! – o Brasil também sofre as consequências disso. Mas Serra e Aécio insistem em ver a crise econômica brasileira como algo isolado. E aí, será que eles (e toda a oposição conservadora) saberiam responder essa questão?

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9. A QUESTÃO SOBRE A CRISE HÍDRICA

Tá bem, Alckmin não é congressista, mas abrimos uma exceção para imaginarmos o que o governador paulista pensaria assim que visse “crise de água” na prova do Enem.

Brasília - O governador de São Paulo, Geraldo Alckimim, participa do Seminário Nacional sobre Aplicação de Medidas Socioeducativas a Adolescentes Infratores, na Câmara dos Deputados

10. A QUESTÃO SOBRE ACESSO À INFORMAÇÃO

E imagine então se Alckmin saberia responder que “para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso à informação”?  Quem esconde informações sobre a falta de água, o metrô e a PM sabe disso?

11. AS QUESTÕES PARA PENSAR A ALTERIDADE

Por fim, essas questões fariam dezenas de congressistas quebrarem a cabeça. Será que as Bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala sabem o que é alteridade? Alteridade é a capacidade de compreender as diferenças e direitos de todos, de se colocar no lugar do outro. O Enem trouxe isso em várias questões, mas vamos destacar aqui três: um relato do século XVI que mostra o desrespeito à cultura indígena (ainda presente); a valorização das narrativas orais indígenas; e o respeito à produção artística de todas as sociedades.

Em resumo, todo esse debate é um pouco sobre isso: vamos praticar a alteridade, congressistas?

Não se deixe enganar: o Pré-sal é rentável!

queda no preçoTem gente por aí querendo fazer você acreditar que o Pré-sal não é rentável. Na mídia e no Congresso os burburinhos constroem a ideia de que não há mais solução: é preciso entregar o Pré-sal e a Petrobras para os gringos e, então tudo se resolverá. Mas será mesmo? Não se deixe enganar, a história não é bem assim – aliás, não é nada assim.

Primeiramente, é preciso deixar claro: passamos por uma crise mundial no setor e a queda do preço do barril de petróleo deixa todas as multinacionais em apuros. No meio do ano balanços trimestrais mostraram que a Shell registrou queda de 33% nos lucros, demitiu funcionários e cortou custos. Já a British Petroleum teve prejuízo superior a US$ 6 bilhões enquanto o lucro da Exxonmobil caiu 52%. Ah, enquanto isso o lucro da Petrobras superou o da Chevron, Exxon e BP.

Bom, mas é inegável que o preço do barril está caindo. Pois é, e mesmo assim, o Pré-sal segue lucrativo e com exploração viável. Solange Guedes, diretora de Exploração e Produção da Petrobras afirma que não há nada no momento que indique que o cenário mudará a ponto de inviabilizar a exploração. “Ele tem se mantido lucrativo à companhia e com a exploração viável mesmo com a queda do preço no mercado”, afirmou em entrevista ao Estadão.

A Petrobras tem obtido ganhos em escala. O custo da produção por barril caiu 11% só no último ano, enquanto que os custos de construção de poços, responsáveis por 50% dos investimentos do Pré-sal, cairam à metade desde 2010. Assim os custos operacionais reduziram consideravelmente. Além disso, a empresa tem 15 plataformas  produzindo no Pré-sal com excelente desempenho, apesar da queda dos preços.

Portanto, não caia nessa história de que tirar a obrigatoriedade de participação da Petrobras na exploração do Pré-sal melhoraria as coisas. Quando uma empresa que só busca o lucro assume a exploração, graves consequências podem vir: produção predatória, mais riscos de acidentes, risco de fraudes na declaração de produção, perda do petróleo como estratégia internacional e diminuição das compras de plataformas.

“O Pré-sal é o mais importante negócio da Petrobras e a mais relevante oportunidade energética que o Brasil dispõe”, como afirmou Solange Guedes. Afinal, por que você acha que as multinacionais estão de olho nele, como alertou o Wikileaks?

FHC é só elogios à Odebrecht, que pagou palestras dele. Mas a escandalização é seletiva

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“É curioso. Tem um nome tão ruim a Odebrecht, e o Emilio tem sido sempre correto, há tantos anos”, disse FHC sobre o empresário Emilio Odebrecht, investigado pela Lava Jato. Fernando Henrique também acha curiosa outra coisa: “a firma Odebrecht ficou tão marcada pela CPI dos Anões do Orçamento, com o negócio da corrupção, e no entanto o Emílio é um dos homens mais competentes do Brasil em termos empresariais”.

Isso mesmo: enquanto a mídia e a oposição tentam ligar Lula à Odebrecht, FHC (que também deu palestras patrocinadas pela empresa no Brasil e no exterior) é só elogios à empreiteira, como escreve em seu livro “Diários da Presidência”, que será lançado esse mês. É a tal “escandalização seletiva”. A mesma Folha de S.Paulo que escreveu com ar de denúncia “Odebrecht pagou viagem de Lula por três países” não parece ter visto problema em dizer “FHC vai a Oriente Médio com Itaú para atrair investimento”. Por que será, se o objetivo das palestras era semelhante, como divulgou em nota a empreiteira: “reforçar a imagem institucional do Brasil e abrir portas do mercado internacional para as empresas brasileiras”?