Em uma semana de bombas e linchamentos, o caso Caio Coutinho mostra a força da mobilização popular contra a violência #FascistasNãoPassarão

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Você conhece Caio Coutinho? Ele é um estudante baiano de 20 anos que mora em Salvador. Ontem, como milhares de jovens negros, ele se tornou vítima de racismo institucional e de violência policial. A história de Caio poderia ter acabado como a de tantos outros jovens negros: em mais violência, espancamento e até em homicídio. Mas não terminou.

Caio atravessava a rua na faixa de pedestres quando um carro acelerou. Sem saber com quem lidava, pois o veículo não tinha identificação, o rapaz ergueu os braços como quem questiona “vai me atropelar?”. Como é negro e pobre, foi motivo suficiente para que os agentes da Polícia Civil, que estavam no veículo, revistassem o estudante por diversas vezes, batessem nele, tomassem o seu celular e quisessem levá-lo preso por desacato.

Mas a população presente não endossou o ódio, o racismo e a violência. Mais de 100 pessoas — comerciantes locais, transeuntes e estudantes de um cursinho pré-vestibular — intervieram contra o abuso de poder dos policiais. Puxaram Caio para dentro do prédio do cursinho e impediram que a polícia o levasse. Sem a mobilização popular… bom, sabemos bem como parte da polícia costuma tratar cidadãos negros e pobres longe dos holofotes. (Em tempo, vale a leitura de reportagem da Pública mostrando como policiais da Rota usam técnicas de tortura para interrogar seus suspeitos).

Segundo o delegado responsável pelo caso, os policiais militares que levaram o rapaz para a delegacia posteriormente alegaram que Caio “chamou para a briga”, como um desentendimento bobo de colégio, que poderia terminar de maneira trágica, porque Caio afrontou a autoridade daqueles que se acham os donos do mundo.

Ainda vestindo o uniforme do colégio, o estudante foi liberado sem ficha. Graças à ação de desconhecidos, a vida de Caio não terminou de maneira “desconhecida”, como acontece com muita gente que cruza o caminho da polícia.

A pergunta que fica é: se Caio fosse branco, de classe média, o tratamento seria o mesmo? Com certeza, não. Se a população não tivesse se mobilizado contra o ódio, o desfecho teria sido o mesmo? Com certeza, não.

Por menos Amarildos. Por menos Valdir Gabrieles — o homem linchado até a morte no RS no início da semana. Por menos atentados a bomba. Por mais multidões que escolham o caminho da democracia, do respeito e da cidadania.

#FascistasRacistasNãoPassarão