Atenção! Cunha quer enfraquecer o SUS para atender interesses de seus financiadores de campanha

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A gente queria tá falando de coisas fofas, mas mais uma vez o financiamento privado de campanha interfere nas pautas políticas no país. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), um dos mais fieis representantes da lógica da política como balcão de negócios, promete votar a PEC 451/2014, de autoria dele mesmo, que coloca na Constituição Federal a obrigação de as empresas a pagarem planos de saúde privados para todos os seus empregados.

Legal, né? ‪#‎SQN‬ A proposta é um retrocesso milenar: Na verdade, Cunha quer enfraquecer o SUS e cuidar da saúde do bolso dele e de seus colegas. Ter plano de saúde privado ainda é o desejo de muita gente, por passar uma falsa sensação de segurança de que, em uma emergência médica, o usuário estará bem assegurado. Mas sabemos que essa não é a realidade. O setor de planos de saúde é bastante problemático e um doscampeões em denúncias de consumidores, com negativas de atendimento, demora ou recusas de liberação de exames ou cirurgias, além de reajustes abusivos e descredenciamentos [sem a devida comunicação prévia aos usuários] de profissionais de saúde, laboratórios e hospitais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), os planos de saúde privados costumam liderar o ranking de reclamação dos consumidores, cometendo todo tipo de abuso. Por conta das irregularidades, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspendeu, no início do ano passado,111 planos de saúde de 47 operadoras, que correspondiam a 1,8 milhão de clientes. Em 2014, foram quase 16 mil reclamações contra os planos privados de saúde realizadas no Reclame Aqui. Com o Sistema Único de Saúde, a saúde se tornou pública, universal e gratuita, e a Constituição Federal assegura que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. É óbvio que nem tudo é perfeito e que também pode ser uma opção tanto do patrão quanto do empregado optar pelo plano de saúde privado, mas daí brincar com a saúde da população brasileira, institucionalizando a saúde privada e deixando implícita a retirada da obrigação do Estado de garantir assistência médica à população, e, principalmente, aumentando os benefícios das operadoras de saúde (como isenção fiscal e tributária) é demais. Entre fortalecer o SUS e fortalecer a saúde privada, Cunha já escolheu seu lado.

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Está óbvio que a PEC do [colecionador de retrocessos] Eduardo Cunha busca atender apenas aos interesses de seus financiadores de campanha, sem se importar com os prejuízos para a população.Não à toa, Cunha está entre os cinco parlamentares eleitos que receberam maior volume de recursos doados por planos privados de saúde, no total deR$ 250 mil, repassados à sua campanha pelo Bradesco Saúde S.A. Além disso, ele ainda recebeu mais R$ 250.000,00 do Bradesco Vida e Previdência. Assim fica fácil entender o motivo de tanto empenho do deputado em “nome da saúde” no Brasil. Aliás, vale a pena notar que a campanha de Cunha atingiu a impressionante marca de R$ 6 milhões de reais — um recorde entre as campanhas mais caras para deputados.

Dedicado representante dos planos privados de saúde na Câmara dos Deputados, Cunha já foi relator de uma emenda à Medida Provisória 653/2014, que anistiava os planos em R$ 2 bilhões em multas, conseguiu promulgar a Emenda Constitucional 86/2015, que reduz substancialmente o financiamento da União para o SUS, além de engavetar o pedido de criação da CPI dos Planos de Saúde, assim que assumiu a presidência da casa.

Nas eleições de 2014, os planos privados de saúde distribuíram R$ 54,9 milhões em doações para 131 candidaturas de 23 partidos, em todos os níveis.

Nas eleições de 2010, o setor ajudou a eleger 38 deputados. No ano passado, foram 29 eleitos. No congresso, esses parlamentares fazem parte da chamada “bancada da saúde”. Da saúde dos bolsos dos donos de planos privados, é claro.

‪#‎EstamosdeOlho‬