FHC diz que sabia de corrupção na Petrobras desde 1996 e não fez nada. É mentira ou foi conivência?

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Fernando Henrique Cardoso fez declarações sobre pressão para nomear “ladrões” como diretores da Petrobrás no início de seu governo numa tentativa de sair de bom moço. Mas a gente é véio de guerra e já tá bem acostumado com a retórica relativista do ex-presidente tucano. Se sabia da corrupção na Petrobras desde o início do seu mandato, por que não fez nada para investigá-la e acabar com ela? Simples: ou é mentira, ou mais uma vez engavetou. Quem não procura não acha, presidente.

Em seu segundo livro, “Diários da Presidência”, ainda não lançado, ele revela que foi alertado sobre o “escândalo” que era a estatal, em 1996. Ele descreve uma conversa que teve com o dono da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Benjamin Steinbruch, nomeado pelo próprio FHC para o Conselho da Petrobrás. Na ocasião, relata, Steinbruch disse “que a Petrobrás era um escândalo. Quem manobra tudo e manda mesmo é o Orlando Galvão Filho, embora Joel Rennó tenha autoridade sobre Orlando Galvão”. FHC se refere ao então presidente da BR Distribuidora (Galvão Filho) e ao então presidente da estatal (Joel Rennó).

Apesar de dizer que “se tratava de uma coisa totalmente descabida” e de pensar ser preciso intervir na Petrobrás, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO NÃO FEZ NADA. Tem gente que gosta de fechar os olhos para aquilo que não convém a seus interesses, mas não é novidade pra ninguém que a gestão tucana à frente da presidência da república é conhecida pelos engavetamentos. Hoje, dizem, a corrupção tomou conta da Petrobrás. ERRADO. Hoje, foram criadas (por Dilma Rousseff) as ferramentas para que se investigue a corrupção e se punam corruptos e corruptores. Nos tempos de FHC nada aparecia, não porque não existisse, mas porque não era investigado.

FHC estava ocupado demais promovendo o fim do monopólio estatal do Petróleo. Seu plano era entregar o Petróleo para as multinacionais estrangeiras o mais rapidamente possível – e a Petrobrax junto com ele.

O mesmo aconteceu com relação a Eduardo Cunha. No mesmo livro, o ex-presidente diz que não confia em Cunha desde 96, quando recebeu um relatório para que ele fosse indicado para assumir o cargo de diretor comercial da Petrobrás. “Imagina”, teria respondido FHC, “problemas com esse nome”. Se existiam problemas, por que não foram investigados? Mais uma vez, FHC, por um “deslize” entrega sua veia engavetadora dos problemas da União. E mais, se FHC não confia em Cunha há tanto tempo, por que o PSDB apoia o atual presidente da Câmara desde o começo de seu mandato?

O maior problema dos nossos analistas políticos profissionais é exaltar aqueles que fingiam que o problema nunca existiu enquanto execram aquela que fez com que esses problemas viessem à tona para que, então, pudessem ser sanados. Se fingimos que algo não existe, como legislar ou governar sobre o tema? FHC é perito nisso.

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