Quais são os interesses por trás das ações de Gilmar Mendes?

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Se você é contra a corrupção e acha Gilmar Mendes um deus por ter agido contra Lula, precisa ler isso aqui.

A controversa figura de Gilmar Mendes está longe de ter a postura ilibada que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal. O rol de ações e polêmicas em que ele está envolvido não é de se menosprezar. Existem muitas mais ações controversas além de confabular com Armínio e Serra dias antes de julgar uma ação do PSDB.

Comecemos pelo seu feito mais famoso: segurar o processo que trata do financiamento empresarial de campanha por mais de um ano. A inconstitucionalidade do projeto já havia sido decidida pela maioria do pleno do STF quando Gilmar pediu  vistas do processo (Ação Direta de Inconstitucionalidade -ADI 4650). Ele sentou em cima do processo por quase 600 dias. A manobra foi tão descarada que virou movimento nas redes sociais com a hashtag #DevolveGilmar. Enquanto isso, Cunha correu com a aprovação de PEC que inclui o financiamento empresarial na Constituição, e portanto invalida o julgamento do STF. Se no final a coisa deu (quase) certo, não foi por causa do Gilmar.

Daí é só ladeira abaixo. Já é conhecida a postura de Gilmar de opinar em público, não com a conduta que se espera do Judiciário, mas sim com posicionamentos políticos e morais. Pena que quem aponta os outros tem teto de vidro, né?

Gilmar atrasou o julgamento de seu amigo pessoal, Demóstenes Torres, cassado em 2012 e pego pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. No ano passado, fez uso de chicana para garantir a candidatura de José Roberto Arruda, pego pela Ficha Limpa.

Além disso tudo, foi pego pela PF em telefonema para Silval Barbosa, ex-governador do Mato Grosso, seu amigo pessoal, investigado pelo STF e preso em flagrante no ano passado por operar um esquema de Caixa 2.

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E não é só isso. Lembra do Daniel Dantas, o dono do Opportunity, preso na Satiagraha? Há indícios de que ele teria continuado preso, não fosse pela interferência de Gilmar Mendes, amigo de Dantas e de seus advogados. O caso rendeu até livro: “Operação Banqueiro – A incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal e virou o jogo, passando de acusado a acusador”, de Rubens Valente. Ao que tudo indica, Mendes foi peça fundamental para desmontar a Satiagraha e fazer de Dantas um homem livre.

Eita! Pera, que não acabou. Pra fechar com chave de ouro, há ainda o caso do Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o ministro é sócio, e recebeu 10,5 milhões de reais do Tribunal de Justiça da Bahia para cursos de juízes e funcionários. Cursos caros esses, né? O inquérito final do CNJ, responsável pelo processo, constatou diversas irregularidades, desde pagamento ilegal de precatórios gigantescos à compra de produtos e serviços sem a devida licitação. Óbvio que o CNJ não podia investir contra a pessoa física de Gilmar, mas a mensagem é clara.

Olho aberto, Ministro Gilmar Mendes. Aqui, a gente tem memória boa e não trabalha com chicana, muito menos com desvio de foco. Se pau que bate em Chico, bate em Francisco, senhor ministro, em que parte do caminho o senhor se perdeu?

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