Podemos tirar (o Pré Sal do Brasil) se achar melhor

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Para emplacar sua mais nova tentativa de tirar os bônus oriundos da exploração do petróleo das mãos dos brasileiros, o Senador José Serra (PSDB/SP) — aquele atacado ferozmente por uma bolinha de papel em 2010— publicou um artigo no Estadão defendendo o projeto de lei 131/2015, proposto por ele ao Congresso. Basicamente, o PL tira da Petrobras a função de única exploradora do pré-sal, abrindo os caminhos para quem mais quiser dar as caras por aqui e tirar lucro daquilo que é patrimônio de todos os brasileiros e brasileiras.

O ~nobre~ senador escreve: “[…] Sua configuração é singela (a do PL): remove a obrigatoriedade — só isso — de a Petrobrás ser a operadora única do pré-sal…”. O que José Serra esquece de mencionar é que essa configuração de seu projeto não é nada singela, porque esse “só isso” a que ele se refere significa retirar do Brasil a propriedade sobre a exploração e os lucros do petróleo extraído de nossas reservas naturais.

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Agora, o que nos parece ainda mais estranho é: se, para Serra, o dinheiro do petróleo é de mentirinha, é ouro de tolo, por que tanto interesse em algo que, para ele, nem existe? O senador — e os tucanos, em geral — têm uma fixação doentia pela Petrobras. Sua motivação única é defender os interesses do povo? Nunca foi. E, se dessa vez fosse diferente, Serra apresentaria uma proposta para fortalecer ainda mais o patrimônio brasileiro e não para enfraquecê-lo a ponto de transformá-lo em alvo fácil das privatizações. Não nos deixemos enganar, as motivações tucanas em cima da gestão da Petrobras permanecem as mesmas desde os anos 90: enfraquecer para desmantelar e entregar aos estrangeiros. Aliás, a gestão FHC só não alcançou êxito em sua empreitada, graças aos funcionários da categoria (os petroleiros) e à pressão da população, que entendem o quanto esse bem é necessário e importante para a vida, economia e manutenção do bem estar social do nosso povo.

Ah, uma historinha interessante, que esclarece, senão tudo, boa parte da coisa. Em 2010, a imprensa brasileira teve acesso a documentos vazados pelo Wikileaks que demonstram o descontentamento das petroleiras americanas com o regime de partilha implementado pelas gestões petistas à frente da estatal. É claro, com o regime de concessão — mais uma marca tucana — os estrangeiros conseguem abocanhar a totalidade dos lucros da exploração, além do poder pela extração do petróleo. Com o regime de partilha, boa parte dos lucros fica no Brasil, além de o bem continuar sendo de propriedade brasileira. Pois bem, os documentos mostram que, diante do chororô da gringa, Serra cedeu. “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, respondeu o senador a Patricia Pradal, executiva da Chevron. Quer dizer, se não conseguimos pelos meios habituais, vamos entregar na marra. Pronto, se ainda faltava motivação, aqui está.

Sobre as afirmações de Serra de que “a Petrobras foi quase arruinada pelas administrações petistas”, bom, gostamos de combater falácias com números: na época dos tucanos, a empresa lucrava apenas R$10 bilhões por ano. Hoje, esse valor chega a R$5,3 bilhões POR TRIMESTRE. Se o investimento, por parte do governo, era de R$ 3,6 bilhões em 2002, o governo investiu R$27,7 bilhões em 2013. Se o sonho dos tucanos era desmontar a empresa e entregar os lucros do petróleo aos estrangeiros, por meio da Petrobrax, hoje a Petrobras é a maior produtora do mundo dentre as empresas de capital aberto, chegando à marca de 800 mil barris por dia, só no pré-sal.

Serra, em suas tentativas de parecer prestativo aos olhos dos investidores estrangeiros para, quem sabe, angariar apoio às suas (fracassadas) intenções de chegar à presidência, pisa em cima das oportunidades de milhões de pessoas que têm, nos lucros gerados e que ainda serão gerados para o Fundo Social pela exploração do pré-sal, a chance de mudar suas vidas por meio da inclusão e da oportunidade. Mais uma vez, o modelo de gestão tucano mostra a que veio: defender os interesses dos estrangeiros é mais importante do que garantir oportunidades aos brasileiros e brasileiras que mais precisam. Ainda bem que a gente já é velho de guerra e sabe reconhecer um engodo de longe.

#EstamosdeOlho

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